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“Quando você compartilha o saber, o saber só cresce. É como as águas que confluem. Quando o rio encontra o outro rio, ele não deixa de ser rio. Ele passa a ser um rio maior.”

Nego Bispo - Filósofo, líder e mestre quilombola. 

Compartilhando saberes

Aqui, conectamos diferentes formas de enxergar o mundo por meio da escrita. Reunimos produções que recusam a neutralidade e usam o conhecimento para questionar as estruturas e transformar a realidade acadêmica e social.

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POÉTICA DO INFINITO

Eduardo Oliveira

O Infinito é irredutível ao passado!
Inescrutável ao futuro!!
Cabe inteiro no presente!!!
Mistério indecifrável.
Morada – abrigo
cilada.

Do Infinito não se desenham mapas, mas cartografa-se o desejo... de infinito.

O mistério não é transcendente. É opaco. Dir-se-ia um buraco no tempo.
Um tempo como espaço. Afasta o mesmo. Inaugura o inesperado.
O infinito não revela seu mistério. O espaço não explica seu segredo.
É travessia. Caminho. Processo. É errância. Rizoma. Arquipélago.
Uma paisagem que não se esgota. Desdobra-se. Ritornelo.

No infinito abrigam-se diferenças que se multiplicam
gerando cada vez mais infinitos, tornando cheios os espaços vazios.
Poder da imaginação que resiste à transparência e produz singularidade,
a multiplicidade repudia o universal; a estética disputa imaginários.
O espaço de todo-o-mundo. O território fala todas as línguas
e subverte o código. Pródigo, inventa o possível.

Geopolítica do diverso versus a Política do uno
A vida não se traduz em essência, não tem lógica, 
Não tem (um) rumo. Deriva alegre entre natureza
e cultura. Sem hierarquia, ascese, compasso ou prumo,
subverte o abismo do nada, adentra a vertigem do escuro,
faz do silêncio som; da razão, poesia; crioulização.

Poética da Relação!
As diferenças nada criam se não se encontram.
A violência fortuita apenas aprofunda a virulência.
O grito poético dos arquipélagos é violência redimida.
O brado fitopoético reivindica a estética como a margem e o ralo.
O caos da origem é poesia em desagravo contestando a colonialidade
e seus corpos autômatos metamorfoseados em fantasmas do Norte.

Luis Carlos (Glissant) dos Santos não é poeta nem filósofo.
Não é continente. Nem arquipélago. Renunciou ao estribilho
do apelo fácil da voz-rebanho. Da fenda abissal brota seu grito (cívico);
na solitude do pensamento brilham seus olhos e palavras de fogo.
Luis é o istmo que interliga salas, quartos e corredores
nessa morada infinita. Quando grita, é libertação!

Sua tese é um recital de palavra e de som
Tal qual o jazz ou o samba, faz dançar ao corpo negro.
No jogo de luz e sombra, resiliência, desassossego.
Na verve de sua pena, um aviso ao desavisado:
vocês querem nos matar,
nos recusamos em morrer.
Poética da Relação
Janela aberta ao mundo
em Cosme de Farias, 
sem centro nem periferia,
sem muro. Arco-íris, Utopia.
Paisagem que se anuncia.


 

A liberdade se aproxima,
mas ainda não.
Que liberdade é
paisagem,
em ação.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA
SANTOS, Luís Carlos Ferreira dos. Filopoética afrodiaspórica: filosofia africana como imaginação emancipatória. Salvador: EDUFBA, 2025. 29 p.

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