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Poema para uma Mulher na cor azul

a primeira vez que soube de ti ,

eras menina ( quase )

e usavas boné ,

estudavas Filosofia

e escutou com atenção a minha Voz :

a vastidão Serista …

a segunda vez que soube de ti ,

já eras Mulher

e na cor azul …

colorida ,

Saltimbanco ,

vertendo Alegria ,

usavas nariz de palhaço

e covinhas no sorriso ,

com marido discreto ,

piscina na tua cor

e filho bem criado

( na abundância de leite e amor de mãe ) ,

já na terceira vez que soube de ti …

descobri ,

com espanto e Desejo ,

tua pele de Mulher Azul ,

tua boca larga de muitos dentes ,

boca para ser beijada ,

pousei em ti meu Olhar

( finalmente pousei em ti meu Olhar ) ,

Olhar de Poeta Cão ,

Olhar de Poesia e Fome ,

Olhar Lírico

lambuzando ,

de alto a baixo ,

uma Saltimbanco

em

desavergonhada

Alegria de Viver …

na quarta vez que soube de ti ,

a feliz surpresa de uma ressonância :

teu Prazer em estender-se ao meu Olhar ,

tua verve em mostrar-se ,

dançar à luz do sol ,

esse mesmo sol que ressalta teu Corpo de Mulher ,

Saltimbanco colorida que ofusca ,

brilha ,

tem mesmo tesão em brilhar …

nessa quarta vez que soube de ti ,

fostes sereia para Líricos Olhos

sem proteção diante da cor Azul …

Saltimbanco !

responda se tiver resposta :

se ressoamos juntos ,

você a mostrar-se ,

EU a lamber-te

( com Olhos de Poeta ) ,

só nos resta um conluio e uma tentativa ,


vamos descobrir o atalho ,

vamos achar o caminho ,

vamos atravessar o labirinto

interposto

ao nosso Encontro ,

inevitável e pecaminoso

Encontro!

Afinal…

um Poeta Cão e faminto…

uma Saltimbanco

colorida em azul ,

foram mesmo feitos

para o inevitável

Encontro… Luz Ciana

 
 
 

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